Nem tudo o que vês é jogo seguro: a campanha, e o que ela não resolve
Quatro entidades públicas juntaram-se numa campanha sobre publicidade ao jogo ilegal. É um sinal de onde está hoje o problema — e de quem tem de o resolver.
· Segurança
A campanha Nem tudo o que vês é jogo seguro foi apresentada a 8 de junho de 2026 na Direção-Geral do Consumidor (fonte). É uma parceria entre a DGC, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e o SRIJ, com a Polícia Judiciária como entidade parceira. O objetivo declarado é sensibilizar para os riscos da publicidade ao jogo ilegal.
Quatro entidades para um problema de publicidade
A composição da parceria diz mais do que o slogan. A DGC existe para defender consumidores, a ASAE fiscaliza atividade económica, a PJ investiga crime e o SRIJ regula o jogo. Quando estas quatro se juntam à volta de anúncios, é porque o problema deixou de estar no sítio onde se joga e passou a estar no sítio onde se descobre onde jogar.
A sessão foi encerrada pelo Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e contou com Teresa Monteiro, Vice-Presidente do Turismo de Portugal responsável pelo SRIJ, e com Luís Lourenço, Inspetor-Geral da ASAE.
O que uma campanha de sensibilização consegue fazer
Consegue tornar visível uma categoria que a maioria das pessoas não sabe que existe. Muita gente assume que um anúncio de apostas que aparece numa rede social passou por algum filtro — que alguém, algures, verificou se aquilo é legal. Não passou, e ninguém verificou.
O que uma campanha não consegue fazer é estar presente no momento em que o anúncio aparece. Por isso vale a pena substituir a mensagem por um hábito: antes de criar conta em qualquer lado, abrir o registo de entidades licenciadas e procurar a entidade exploradora — o nome da sociedade, não o nome comercial. São vinte segundos e é a verificação completa: o registo é a lista toda, não uma seleção.
O que está do outro lado
Num site sem licença não há autoexclusão que valha, não há limite de depósito imposto por lei, não há entidade a quem reclamar e não há garantia de que o dinheiro volta. O SRIJ descreve o quadro em o problema do jogo ilegal.
A campanha vai circular nos canais digitais das entidades parceiras. O registo está sempre no mesmo sítio, todos os dias, e é esse que decide.