Quem joga online em Portugal, segundo o regulador
Quase cinco milhões de registos, três em cada quatro com menos de 45 anos. Os números são públicos e trimestrais — e dizem coisas que a conversa comum não diz.
· Investigação
Há uma fonte pública, oficial e atualizada de três em três meses sobre quem joga online em Portugal: os relatórios de atividade do SRIJ. Os números abaixo são do relatório do 2.º trimestre de 2026 (fonte).
A escala
- 4 914,5 mil registos de jogadores no total.
- 1 214,1 mil com prática de jogo no trimestre — ou seja, com pelo menos uma aposta feita.
- 248,4 mil novos registos só nesse trimestre.
Uma nota importante que o próprio relatório faz: um mesmo indivíduo pode estar registado em mais do que uma entidade exploradora. “Registos” não é o mesmo que “pessoas”, e quem citar estes números como número de jogadores está a exagerá-los.
As idades
Distribuição dos registos por grupo etário:
- 18 aos 24 anos — 22,2% do total
- 25 aos 34 anos — 32,1%
- 35 aos 44 anos — 22,2%
- 45 aos 54 anos — 15,3%
- 55 aos 64 anos — 5,9%
- 65 e mais anos — 2,3%
No conjunto, 76,5% dos registos são de pessoas com menos de 45 anos. O jogo online em Portugal é uma atividade de gente nova, e a distribuição não é sequer equilibrada: o escalão dos 25 aos 34 sozinho vale mais do que todos os escalões acima dos 45 somados.
Onde
Lisboa (22,1%) e Porto (20,6%) concentram mais de quatro em cada dez registos. Setúbal, Braga e Aveiro somam outros 23,8%.
O que estes números não dizem
Não dizem quantas pessoas têm um problema com o jogo. Registo não é prática, prática não é excesso, e excesso não é perturbação de jogo. O que os relatórios trazem e que mais se aproxima disso é o número de autoexcluídos — e mesmo esse mede quem pediu ajuda, não quem precisa.
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