Quantas pessoas se autoexcluem em Portugal — e o que a forma como o fazem diz
São mais de 400 mil registos autoexcluídos, a crescer a mais de 26% ao ano. E mais de nove em cada dez escolhem a versão sem data de fim.
· Investigação
A autoexclusão é a única ferramenta de jogo responsável cujo uso é medido e publicado trimestralmente. Isso torna-a a melhor aproximação pública que existe à dimensão do problema em Portugal.
Os números
No fim do 2.º trimestre de 2026 (fonte):
- 413,7 mil registos de jogadores autoexcluídos — mais 26,8% do que um ano antes.
- 60,9 mil pedidos novos só nesse trimestre, contra 27,7 mil términos.
- O rácio de autoexcluídos sobre o total de registos é de 8,4%.
O detalhe que passa despercebido
Dos 413,7 mil, 384,0 mil são autoexclusões por tempo indeterminado — com registo cancelado. Apenas 29,7 mil são por tempo determinado.
Ou seja: cerca de nove em cada dez pessoas que se autoexcluem não escolhem uma pausa. Escolhem sair.
É uma diferença com consequências práticas: por tempo determinado, as contas ficam suspensas e o jogador pode levantar fundos; por tempo indeterminado, as contas são canceladas e o saldo é transferido para a conta de pagamento do titular.
Como ler este crescimento
Mais 26,8% de autoexcluídos num ano pode significar duas coisas opostas — mais problemas, ou mais gente a saber que a ferramenta existe e a usá-la. Os dados publicados não permitem distinguir, e quem afirmar uma das duas com certeza está a ir além deles.
O que se pode dizer com segurança: a ferramenta é usada por muita gente, e a versão definitiva é a esmagadoramente escolhida.
Como se pede
No site do operador, e vale só para esse site. Ou na plataforma do SRIJ, e vale para todos os sites licenciados em Portugal. É gratuita, o mínimo são três meses, e o levantamento só produz efeitos um mês depois de comunicado.
Se a decisão for difícil de tomar sozinho, a Linha 1414 é gratuita, anónima e confidencial.