A recaída faz parte, e não apaga o que já foi feito
O SRIJ descreve a relação com a perturbação de jogo como um processo com avanços e recuos. Saber disso antes muda o que acontece depois.
· Jogo Responsável
Há uma ideia muito instalada de que recuperar é uma linha reta e que qualquer desvio anula o percurso. Não é assim que o processo é descrito tecnicamente, e acreditar nisso torna a recaída muito mais perigosa do que ela precisa de ser.
O que o regulador diz
O SRIJ descreve explicitamente que a relação com a perturbação de jogo “não é um processo linear, mas comporta avanços e recuos”, associado ao equilíbrio entre fatores de risco e de proteção, com maior propensão em fases de crise pessoal ou social (fonte).
Porque é que a interpretação importa tanto
Porque decide o que acontece a seguir. Quem lê a recaída como prova de fracasso tende a fazer duas coisas: desistir do processo, e esconder o episódio de quem o estava a apoiar. As duas juntas transformam um dia mau numa recaída prolongada.
Quem a lê como um acontecimento esperado faz outra coisa: conta, percebe o que a antecedeu, e reforça a proteção nesse ponto.
Um episódio não apaga meses
Três meses sem jogar seguidos de uma recaída são três meses sem jogar e uma recaída — não são “nada”. O que se aprendeu, os hábitos que mudaram e as ferramentas que ficaram no sítio continuam lá.
O que fazer depois de uma
- Contar a alguém, no próprio dia. O segredo é o que transforma um episódio em padrão.
- Repor as ferramentas. Se a autoexclusão tinha terminado, pedir outra. Se os limites tinham sido aumentados, baixá-los.
- Procurar o gatilho. O que aconteceu nas horas antes? Dinheiro inesperado, uma discussão, uma noite sozinho, uma promoção no e-mail?
- Falar com quem acompanha. A Linha 1414 serve exatamente para esta chamada, e é gratuita, anónima e confidencial.
Uma nota sobre o mês de espera
O levantamento de uma autoexclusão só produz efeitos um mês depois de comunicado. Muita gente vive isso como burocracia; é a parte da ferramenta que funciona. Uma decisão tomada num dia mau não tem efeito nesse dia — e a maior parte das decisões tomadas em dias maus não sobrevive a trinta dias.