Perturbação de jogo: o nome certo para aquilo a que se chama vício
Deixou de se chamar jogo patológico e passou a ter estatuto clínico próprio: uma adição sem substância, com critérios de diagnóstico como qualquer outra.
· Jogo Responsável
No dia-a-dia diz-se “vício do jogo”. Em contexto clínico o nome é outro, e a diferença não é de cortesia.
O que mudou no nome
Com a 5.ª revisão do DSM — o manual de diagnóstico mais usado em saúde mental — o que se chamava jogo patológico passou a chamar-se perturbação de jogo. A mudança acompanhou uma reclassificação de fundo: a perturbação de jogo deixou de estar arrumada com os problemas de controlo dos impulsos e passou a estar com as adições.
Como o SRIJ resume, “a perturbação de jogo é validada no plano científico como uma patologia aditiva sem substância” (fonte).
Adição sem substância: o que isso quer dizer
Não há nada a ser ingerido, e mesmo assim os mecanismos reconhecidos são os das dependências: repetição compulsiva do mesmo comportamento, tolerância — a necessidade de apostar valores crescentes para sentir o mesmo —, inquietação ou irritabilidade ao tentar parar, e perda de controlo sobre a frequência e o montante.
É por isso que “é só ter força de vontade” não descreve o problema. A força de vontade é exatamente a faculdade que a adição compromete.
Porque é que o nome importa a quem está a viver isto
Porque muda a pergunta. “Sou fraco?” não tem resposta útil. “Tenho uma condição reconhecida, com critérios, com tratamento e com serviços?” tem — e a resposta é sim.
Se isto te diz respeito
Nenhum artigo diagnostica ninguém. O que se pode fazer hoje:
- Linha SOS Jogador — 1414. Gratuita, anónima e confidencial, nos dias úteis das 10 às 18 horas, do ICAD. Também por e-mail, para 1414@icad.min-saude.pt.
- Autoexclusão. Pela plataforma do SRIJ bloqueia o acesso a todos os sites licenciados em Portugal, com um mínimo de três meses.
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